segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Fim de Ano, Promessas, e a Industrialização da Esperança

 Mais um ano se aproxima do fim, e como todo fim de ano, a falsa esperança reina.
  Com o Natal e o fim do ano tão próximos, ouvimos com frequência pessoas falando de suas ''promessas'' de ano novo, afirmando com convicção que o ano que se aproxima será sim, um ano melhor.

Mas todos sabemos que não é bem assim, certo?Algo parecido acontece com muitos de nós, numa madrugada inspiradora: De repente, nós decidimos que acordaremos cedo no dia seguinte, faremos exercício diariamente, passaremos a comer direito, mudaremos algo que nos incomoda, etc.  

 E o que acontece no dia seguinte? Exatamente. Acordamos 15h, almoçamos um miojo as 17, e passamos o dia mofando no sofá ou no computador. Fim de ano é a mesmo coisa. Achamos que vamos conseguir tirar força de vontade do nada, que no ano seguinte alguma força maior vai, sem motivo aparente, intervir em nossas vidas e melhorar tudo.

 A esperança tem prazo de validade, e data de fabricação. Ela começa a se perder em outubro, quando percebemos que pouca coisa (ou nada) que havíamos planejado se concretizou, e já se passaram 10 meses. Claro que podem sim haver surpresas ótimas e não planejadas, mas isso não vem ao caso. A esperança então retorna no começo de Dezembro, quando somos levados a acreditar que o próximo ano trará coisas melhores. 

 Por que isso?  Será que somos realmente tão profundamente infelizes e insatisfeitos com nossas vidas que temos que buscar refúgio em mentiras? Tão infelizes que temos que mentir para nós mesmos, até que acreditemos na mentira? E se a resposta for sim, receio que não tenhamos o que fazer quanto à isso. Podemos sonhar com um mundo onde somos plenamente satisfeitos com nossas escolhas, com nossa vida. Mas apenas sonhar.

Esse não foi um texto desmotivacional, ou pelo menos essa não era a intenção.
Desejo à todos um ótimo fim de ano e 2015.

''Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. 
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente." - Carlos Drummond de Andrade

É isso ai, esse n ficou muito bom, mas acho que é válido. Fiquem com os Deuses
~Death~

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Morte


  Morte, óbito, falecimento, passamento, desencarne. Se procurarmos a definição dessas palavras, esta se resume a um processo irreversível de cessamento das atividades biológicas necessárias para a vida. Mas o que é a Morte  para nós pessoas, e não dicionários? Para alguns, é vista como um fim, para outros, como um novo começo.
  A maioria de nós vê a morte como algo ruim, uma tragédia imensurável, principalmente quando se trata da morte de algum amigo ou parente próximo. Não são muitos que têm a frieza de ver qualquer morte como apenas mais um estágio da vida, mas acredito que todos gostariam de pensar assim. 
  Tendo consciência de que um dia morreremos ( a menos é claro, que você seja o alquimista que finalmente conseguirá produzir a maldita pedra filosofal ) nos questionamos sobre o que acontece depois que morremos. Não aceitando um destino no qual tudo simplesmente se tornará um nada, a maioria passa a acreditar na imortalidade, num plano espiritual para onde iríamos após a morte. 
  Na filosofia socrática, a morte é necessária para que alcancemos o conhecimento pleno. A pessoa seria guiada pelo daimon ( δαίμων) que lhe orientara pelo estágio material, na direção de Hades ( O reino, não o deus) onde ela seria submetida ao julgamento. Muitas outras crenças também descrevem a morte como algo necessário para algum tipo de evolução.
  A morte também já foi usada como forma de agradar aos deuses, em vários momentos na história da humanidade. Me refiro, é claro, aos sacrifícios humanos. Até hoje existem pessoas que ainda o praticam. Não só para os deuses, mas também para reis e membros do alto clero. Quando estes morriam, um homem era sacrificado para que este servisse ao morto na próxima vida. .
  Para os nórdicos, aqueles que morriam em batalha iriam ou para Valhalla ou para os campos Folkvang da deusa Freyja, e os que morriam de forma vergonhosa, para Hel. Para os egípcios, a alma se desprendia do corpo e o morto era guiado por Anúbis para o Tribunal de Osíris. Para que o morto fosse aprovado, Osíris pesava seu coração em uma balança, e este deveria ser mais leve do que uma pena. Caso reprovado, sua alma seria devorada por Amit. 
  Mesmo que acreditemos na vida após a morte, reencarnação, etc, ainda assim parecemos temer a morte como se esta fosse o fim. E se for? e se não for? Faz diferença? Se alguém lhe desse, nesse momento, provas irrefutáveis de que a vida simplesmente acaba e tudo se torna um vazio, você mudaria a forma como vive? Ou se lhe fosse provado o contrário, temeria o karma da próxima vida? 
Do ponto de vista científico, todos sabemos muito bem que não existem provas concretas de vida após a morte, nem nada parecido.
  Também existe um conceito da morte como uma entidade sensível desde o início da história. A associação da imagem com o ceifador está relacionada ao trigo, que representa a vida na Bíblia. Na iconografia ocidental , a morte é geralmente representada como uma figura esquelética , usando um manto preto encapuzado. O nome de ''Anjo da Morte'' também vem da bíblia (em hebráicoמַלְאַךְ הַמָּוֶת Malach HaMavet). E temos também a Morte como o quarto cavaleiro do apocalipse.
  Na minha humilde opinião, a morte não é o fim. Concordo também com Sócrates, que o corpo material é algo que nos impede de alcançar o conhecimento pleno( se é que tal coisa existe). Não irei me prolongar demais para não desviar do assunto.


A morte chegará para todos nós, e finalmente teremos a resposta, que será a mesma, independente de nossas crenças.

~Death~

  

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Pegar Mulher

 "Pegar muié" - Atitude comum entre homens durante toda a história. A nomenclatura varia. O desespero, não. Desespero? Bom, pelo menos entre homens, existe o desejo (desde quando notam o primeiro pêlo na axila), de "pegar mulher". Normal. Mas segundo venho observando, esse se torna o motivo existencial de muitos. Eles não pensam em mais nada. Chega a ser assustador o nível que elas ocupam na mente dos caras. Isso também é considerado normal, mas pra mim nunca foi. A ideia da mulher estava sempre no segundo plano. Talvez seja por isso que eu esteja escrevendo isso agora e não em uma balada praticando a famígerada arte de "pegá-las".
 Mas o meu ponto é outro: Meu choque foi grande ao encontrar uma sociedade de homens que não ligam para o que pensa aquele ser que ele enfia a língua na garganta, vorazmente, com a razão de aumentar uma lista numérica para contar vantagem na mesa do bar ao final da noitada. Enunciando de maneira tão cientifíca e eloquente, soa banal, não? Pois é. Para mim é no mínimo bizarro. Você se relaciona de maneira íntima com um ser, sem nenhum motivo senão o banal preenchimento de seus prazeres carnais. "Mas isso basta" - Dirão alguns. De fato, a minha verdade não é universal. Se funciona para você, quem sou eu para desmentir. Mas eu simplesmente não vejo o propósito. Só vejo um vazio. Nada com nada. A simples ideia de abordar uma completa estranha na balada e meter a língua em sua goela por alguns momentos de prazer, é no minimo esquisito, ao meu ver. E mesmo quando se engaja uma leve conversação (algo entre um interrogatório em que eu não ligo para as respostas ou um monólogo egocêntrico em que sou desprezado com veemência) ela é vazia e/ou terrivelmente chata. 
 Considere-me um louco, mas esse é o meu pensamento. Gosto de encontrar mulheres com quem eu possa desfrutar de um boa e substancial conversa, sem medo de falar o que penso. Simplesmente conversar e se for bom, o amor deve ser o além, o "consumador" da relação, e não o contrário. O que nos diferencia uns dos outros é nossa capacidade de raciocínio e interpretação, logo deveria ser nosso principal meio de julgar uns aos outros. Pense nisso na próxima balada e "pegue várias muié".

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Solidão

A sociedade é baseada em casais. Isso é um fato. Acha que não? Bom, quando vc esta no restaurante raramente vê alguém jantando sozinho, e quando vê,  sente pena do "pobre coitado". "Que bom que nao estou no lugar dele, afinal jantar sozinho é mt triste." Mas podiamos parar pra pensar que na verdade os solitários se dao bem melhor, afinal, nao tem de aguentar papo furado, mentiras óbvias e falsas amizades, eles so tem de aturar a eles mesmos, ou seja, eles conseguem aproveitar a propria companhia de forma saudável. Afinal quem é mais parecido com vc do que vc mesmo?
Quem te entende completamente, se nao vc mesmo?
Nao digo que devemos largar a sociedade e viver isolados como eremitas, mas temos que aprender a conviver mais com nós mesmos e ter mais momentos de introspecção e reflexão, coisa que nem todos conseguem. Então da próxima vez que você vir alguém almoçando sozinho lembre se que na verdade ele ou ela, é um privilegiado por conseguir aproveitar a própria companhia sem se cansar.

Hipocrisia da felicidade

As pessoas prezam muito a felicidade, no conceito vago da coisa mesmo. Todos querem ser felizes, apesar de não pensarem no que fazer para alcançar essa tal felicidade. Mas o que eu quero dizer é que você não pode dizer que esta infeliz com certas coisas que logo já é tachado de pessimista e depressivo, quando não é bem assim. A felicidade é passageira, assim como a tristeza. Ninguém É feliz ou triste, vc pode ESTAR feliz ou triste com determinada coisa, mas isso passa. E é isso que as pessoas não querem entender. Todos querem felicidade todo o tempo e o tempo todo, mas isso não acontece NUNCA. E pra esclarecer: ficar triste de vez em quando não é ruim. É natural. Para vencermos as adversidades da vida, as vezes é necessario que fiquemos de luto e que o vivamos, mas temos que ficar atentos para não nos perdermos nele. Só isso. Sem hipocrisia.

Gênios

Quem não queria ser um gênio? Saber muito sobre determinado assunto sem precisar de infindáveis horas de estudo, tudo graças a um mero acaso da natureza. Simplesmente "por que sim". Essa, infelizmente, é a definição de gênio que tenho inserida na minha mente.
Eu sou do final dos anos 90 (nasci em 1997) e graças a isso tenho essa definição. "Como assim?" Bom, eu explico: Na geração dos meus pais e avós, tinha-se uma concepção diferente de gênio. Gênio, era aquele que se dedicava tanto a um determinado assunto que se tornava um mestre. Ele não nascia assim. Ele, por vontade própria, se tornava assim. Nada de sorte, acaso e inspiração. Apenas transpiração. Pura e simples dedicação.
Com o passar do tempo, esse conceito se distorceu e tranformou-se até em motivo de chacota. As pessoas tem pena dos "esforçados", ao invés de buscar a inspiração neles. Hoje, o gênio é o sortudo, fruto do acaso, quando sabemos que não é bem assim. Bom, pelo menos os antigos sabem. Sabem que quando tentarem algo pela primeira vez, a chance de falhar é alta, mas que isso não é razão para desistência nem desapontamento.
É lógico que existem casos de gênios por natureza, pessoas novas que já são primores no que exercem, sem esforço. Mas isso é exceção a regra. Eu demorei pra entender isso. Passei muito tempo me "auto-desprezando" por não acertar tudo de primeira sempre. Mas hoje eu finalmente percebo que na realidade, é a prática que leva a perfeição e quem sem esforço não há vitória.
Fica ai o meu apelo para os jovens do século XXI. Abaixo os falsos gênios!